14 03 2017

i – cinco ou seis garotos correm atrás de um porco espinho que alguém pintou de amarelo. está desesperado, em fuga, e eles meio vergados a correr atrás dele. salvam-me a aflição com uma mangueirada, como as que se dá aos gatos engalfinhados. seguida do alívio, entristeço-me pelo vestido manchado e irrecuperável: andei meses a pensar que só tinha um corpo quando enfiada nele;

ii – reencontro-te, pai, quando páras o carro ao meu lado e tentas falar comigo. já não ouço o que tens para dizer e tenho pena, muita pena, porque queria mas não consigo. juntam-se pessoas, junta-se confusão e, de repente, o interior do carro começa a arder sem que ligues aos meus avisos desesperados e olhes para trás, para confirmar. é isso: olhar mesmo para trás. no entanto, consegues apagar o fogo, depois de ter tentado sem sucesso mandar uns panos lá para cima como nos filmes.

 

apaga-lo com a boca e as mãos. artista de circo.

Advertisements

Acções

Information

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s




%d bloggers like this: