12 12 2016

Só agora sinto falta, ou pena, de não me ter podido ver conscientemente nos braços da minha mãe, em bebé.

Pergunto-lhe, amiúde, se me segurava nos braços muitas vezes. Deleito-me a imaginar ao colo dela, peito com peito, enquanto cozinhava ou fazia coisas e me envolvia no robe, tapando as costas. Como numa repetição de gravidez.

E nem sequer tenho falta de abraços dela. Tenho sempre direito àqueles dedos outrora compridos e agora um pouco mais encortiçados,  com as unhas mais bonitas e naturalmente desenhadas que jamais conhecerei.

O incondicional é perigoso. Apesar de achar que tenho uns gestos bonitos de vez em quando, é uma ilusão de ter sido banhada por uma sorte infinita – quando isso não existe.

Nem sequer é racional chegar a esta conclusão, porque já vi a minha mãe afastar-se de quem ama imensamente por variados motivos. No entanto, é sempre aquela sensação do viciado no jogo: vou ganhar sempre.

 

 

 

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