24 05 2016

perante operações de vital importância que se desenrolam do outro lado da janela, além da parede redonda que faz esquina, observo deste lado da janela: os fios, uma tartaruga enorme sem carapaça, um silêncio sem carros, braços cruzados atrás de fitas azuis, ombros que se encolhem curiosos.

um rumor de carros bem mais distante, afastado pelo perímetro criado.

um imobilismo que já nem mete medo relativamente a qualquer situação explosiva que dali possa vir contra nós faz-me baixar a guarda e atentar na quantidade de pombas que, felizes, bicam finalmente por entre os paralelos da rua reservada aos carros. geralmente são arredadas para o passeio liso, para os bancos onde se sentam as velhotas, enxotadas pelos pneus imparáveis.

e  agora vê-se que estão felizes, todas reunidas, ocupando imediatamente o espaço que devem desejar todos os dias. picando e aquilo que cai das árvores, finalmente livrando-se da caridade parva, sem que ninguém as aborreça.

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