9 06 2012

“Agora, em especial para ti: do lugar onde estás, tu próprio és o assunto que melhor vês, tu és a pessoa que está mais perto de ti. Por esse motivo, é normal que te pareça que cada detalhe é fundamental, essencial, que não podes viver sem ele. Mas podes. Os outros, esses que te amedrontam, que te telefonam todos os dias, que te escrevem e-mails e te perguntam: já está?, onde é que está?, porque é que não está?Esses parecem gigantes, têm os olhos muito abertos, mas, sabes, quando adormecem, são meninos indefesos. Como tu, também eles. Como tu, também eles recebem os mesmos telefonemas, os mesmos emails e, como tu, também eles, se encolhem ante gigantes, olhos muito abertos, que, por sua vez, fazem a mesma coisa com outros e outros e outros. Se eles te perguntarem: já está? Podes responder: não, não está. E tudo continua. Se não tiveres o caminho entre a tua casa e o supermercado, terás outra coisa, qualquer coisa. Se não tiveres um texto como este para escrever, terás algo que desconheço, mas que sei que existe. Por isso, respira. O aré fresco.”

 

in “Abraço”, José Luís Peixoto.

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