8 08 2011

isto nunca calhou de acontecer, quer dizer, isto de acordar com uma ideia na cabeça que se embrulha na respiração e a toma de assalto, descansar um pouco do rebuliço durante uns minutos, voltar a atacar num momento mais mecânico do dia, e isto ainda de manhã, e falar falar falar, desenrolar-se por ali e não querer já conseguir ouvir o que nos estão a dizer, parece que vamos ficando mais confortáveis e amigos daquela ideia única, tão dolorosa, tão dúbia, tão presente, tão que nos fala sem se dar ou ver, e continua pelas horas fora e dentro, e esquecemo-nos de fazer coisas da vida e na vida dos outros e na nossa, de sermos alguma coisa, para passarmos a pensar só naquilo, a sentir tudo aquilo: que é afinal tudo o que pode ser ou não ser e dispara em tantas direcções e nós parados a ver se a mantemos dentro da boca e fora do coração, ali a meio caminho, sem sabermos o que fazer, se a deitar fora neste momento, se a deixar por aí a ver se alguém apanha, e nisto já nos deitamos com a mesma ideia, a doer nas cãimbras do coração depois de kilometros em falso.

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