27 11 2010

tenho uma besta de mil olhos gigantesca atrás de mim. as histórias dizem que quando são assim bestas grandes são também fortes e brutas, não há o suspense de alguém escondido para matar num sopro exalado. assim tudo é mais explícito, não menos doloroso, talvez menos inteligente porque menos aparentemente cruel. no íntimo desejaríamos ao menos que houvesse crueldade e inteligência. talvez nos pudéssemos queixar com mais lógica.

mas não, é apenas uma besta de betão que está ali dia e noite, muda e mundana, quase me empurrando ao fim da noite, para a fronteira, para os carris. guarda-te a besta, prende-te e marca um dia no calendário, ou dois ou três de dor escadeada, e eu não lhe dou luta. viro-lhe costas e caminho para os carris de olhos vidrados como se fosse uma amante magoada. como se fosse a única que desesperada por chegar a casa vê a paragem passar e não sai.

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