19 07 2010

o sol não é tão suave como era na tua superfície antes de chegar ao solo. já não se encontram duas pedras de jade contra a árvore a tremerem de interrogação. já não sei não saber o que pensavas a olhar os lampiões amarelados da rua antes de deitares o queixo nas patas.

parece-me ainda ouvir o som de lixa no teu pêlo ensalivado, no ritual frenético e repentino, ou pausado e programado, sabe-se lá por que regras.

ainda tento ver o recorte das orelhas entre as camisolas, em vão, apenas todas parecem uma cortina de chuva, com o pêlo cinzento desalinhado e impregnado.

queria que tivesses preferido a fresca debaixo do armário da sala ou do computador. até da casa de banho às escuras.

o tempo que faltava será sempre tão vazio como a casa que deixas e lamurioso como a casa que encontro.

trocassem-nos na queda e eu ofereceria o meu chão. abria os braços, maldizia a altura, testava finalmente o peito. para te ouvir abrir a porta, rodear a entrada e voltar a acordar-te de sonhos trémulos insondáveis, com amor nas mãos, a chamar-te à vida. só queria poder acordar-te.

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2 responses

19 07 2010
Daniela Bicha

Está lindo mesmo. 🙂

19 07 2010
ummaisumigualaum

*abraço* as vezes as palavras são poucas, mas realmente têm que existir

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