30 05 2010

Lembro-me de, com outros amores, outro tipo de amores não era este de pai e filho, ter um medo aguçado de não ter mais nada para falar. Para conversar. De onde surgiria isso, como o  iria parar? Porque de certeza que isso me faria infeliz.

Estava de costas, a ver uma sombra grande a surgir à minha frente, sem identificar como minha, sem perceber o que se passava: como nos filmes em que o assassino e´stá a aproximar-se de nós e estacou, gigantesco, atrás de nós e nós confusos. Vi mal o real perigo: ter coisas para dizer, e já não lembrar da saudade.

Pelo canto do olho reencontro alguma saudade que alguém semelhante a mim deve ter tido ou vivido: dos guarda chuvas de chocolate da Regina que comia tão lentamente e em mordidas tão fracas, débeis e atadas. Do champô de maçã verde de que gostava mais pelo frasco transparente mostrar aquela espécie de químico encimado por uma tampa em forma de maçã, que espalhei uma única vez num corredor de supermercado, como uma “menina da rua” qualquer. Dos ossos para cães que cismava servirem para mim, é estranho haver coisas só para uns ou só para outros, e gostos que nos antecedem e organizam tudo.

Era mais fácil e chego a acreditar, que fosse outra pessoa. Era claramente outro corpo, outra cor de cabelo, outro tamanho de pernas e de olhos, de mundo. O saber, continua o mesmo, excepto que na altura devia saber tudo o que precisava para a minha vivência daquele tamanho e hoje não preciso do que sei com tamanha vivência.

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