26 02 2010

está a terra espalhada no autocarro. o solo, o das escarpas montanhas e planaltos, árida e fustigada. verde, castanho, castanho claro, quase preto, preto (um seixo inclinado aqui e ali).

estranho, estranho, é uma luz de morgue, aguda de branca, que incide: a terra sob escrutínio e observação, em morte aparente. a terra espalhada, em molhos, escapou se da mão finalmente aberta de alguém, sob a luz dolorosa, aguda, nos olhos e não dos olhos. tão espessa, tão relevante para os relevos, que tapa o autocarro: só se vêem os reflexos, nada lá fora, é um imenso celofane a embrulhar, a empurrar as paredes, a esconder o pedaço de terra, a acomodá-lo numa mão desta feita mais apertada, a contar as vezes que a terra se mexe, que a terra se desagrega sem dizer adeus, sem dizer olá, sem se olhar.

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