21 09 2009

Eu dizia que era a fábrica do meu pai. Não pensava que era dele o cheiro a cartão, aquela luz dura, mas sabia que o pisa papéis vermelho e branco era só dele.

Dei-lho sem pensar em como o fiz, ou na minha presença lá. Hoe era um coração ali jazente.

Eu gostava da cadeira giratória que me levava em elipses aos arquivadores cinzentos de arestas frias e gavetas lugubremente deslizantes.

Todos os materiais de papelaria serviam para o meu monólogo de lojista à frente da calculadora que tossia o recibo com poucos números, sem valor.

Os corredores da entrada fizeram sempre a fábrica parecer uma escola, com portas de madeira e vidro e eu detinha-me nos placards e nos cartões furados do pontp como a paragem ainda angustiante e plena de filosofias diárias mergulhadas na vida de cada um, antes das máquinas metálicas vigiadas e as empilhadoras nervosas.

A fábrica, à porta com a ponte curva, na iminência da margem da estrada.

Decomposição de um edifício até hoje. Apagou-se o nome, abriram-se os mil olhos de vidro. Recortada como um gráfico elucidativo financeiro de betão com os seus altos e baixos concretos.

Até ver coisas que não via da estrada, com muros insípidos a nada guardarem.

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23 09 2009
ciclops

histórias de uma estória. o teu toque fica muito mais vivo neste tipo de textos*

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