2 06 2009

era mesmo essa frase que me faltava para o esticão no pescoço, aquele que dói lancinante quando se corre e se vira demasiado rápido o pescoço para trás, sem tempo para o deixar estender-se, desenrolar-se. um curto esticão de olhos desesperançados, a vestirem-se de revoltados.

era mesmo a lâmina aguda muda no interior do braço, desde a dobra até uma parte imperceptível até ao amargor da boca. ouvi, caíram os livros, os espelhos, os vidros, os globos, as tábuas, a parede lá de fora a cair para a outra que nos resguarda, a invadi-la, a desmaiar sobre ela, a interceptá-la.

disse tudo contra o eco côncavo, disse o fim, disse o início, disse a dor do tempo que não ia acabar em ti, disse dos dias intermináveis que te esperavam sem tu mudares, disse-me longe, disse-me com o tempo sempre na algibeira em esquinas sucessivas dobradas mais rapidamente que tu.

antes de lavar a cara senti a água nas mãos, e desisti de lavar a cara. não vi reflexos, não a bebi, não amansei a superfície, mas o tempo tilintou: era eu quem ia ouvir o mesmo até ao fim, sem começar por algo dizer.

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2 responses

3 06 2009
casanova

foi como ver um filme passar à frente dos meus olhos…
**

19 06 2009
Clint Eastwood

e lá voltou o telemóvel a quinar hmpf

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