4 02 2009

Hoje, os velhos que nunca me deram carinho, tiveram os meus braços abertos, o meu peito contra o sólido outro (por isso se abrem os braços, para sentir outro que não eu, até achar que me estou a tocar com as mãos em mim própria, no sítio do peito).

Um amor que sempre quis dar porque era ou seria mais bonito , o dar e o depois de dar até ao dar outra vez.

Ele infantilizado, estupidificado, de olhos abertos de espanto vazio e roto, de fendas que nunca deixarão algo enchê-lo ou  sequer permanecer. Desce as escadas com um sorriso de felicidade como a de quem vê luz, ou vê uma parede enquanto anda e a seguir árvores, e não se dá conta que as coisas mudam porque caminha ou o carro avança.

Dou o melhor abraço, o que nunca dei ou darei, o do sonho de mais alguém que me amasse incondicionalmente e me alimentasse no meio da sala, ou onde quer que eles estivessem. O abraço do amor que eu não ganharia depois dos olhos, mas sim o que esperava antes de as pálpebras subirem pela primeira vez.

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2 responses

4 02 2009
Txikia, a pequena

não tenho palavras.
tocou-me, muito :’)

12 02 2009
André

Absolutamente genial. As tuas palvras devolveram ao tacto o caminho até ao outro. Nunca me canso de te ler, num abraço demorado.*

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