.tudo isto me passa e eu imóvel

2 12 2008

estou sentada a ouvir, os olhos traem, quando ouvem não estão parados (embora os baixe quando ouço poesia , como se a ouvisse de um rádio). parecem rodas no asfalto e tacões altos na rua, os meus pensamentos, quando este me faz mesmo virar os olhos inconscientemente para não parecer tão longe: imagino-me a virar-me para quem está ao meu lado e começar a andar a pancada com ele/a. Começa sempre por um empurrar, um passo de tango aligeirado, curto, faísca. Depois é um atropelo. Apesar de querer dar murros coordenados com belos pontapés, sei o que vejo: puxar o cabelo para empurrar a outra cara de mão aberta, esgaravatar com as minhas unhas ruídas evitando a boca para não me morderem, morder naquela carne mole tentando não lhe sentir o sabor impessoal. Vou aos ombros, ao pescoço , mas temo sentir a traqueia nos dedos porque me impressiona já a minha nas minhas próprias mãos. Levantar-lhe o queixo para cima para não me poder ver,e um ímpeto de lançar a minha cabeça, em marradas, contra o estômago, no último esforço.

batem palmas, parece-me, os olhos tem que voltar a ser húmidos.

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