.A noite são todos os sons

8 11 2008

A névoa está aqui e eu tenho vidros a dizerem-me não ao ignorarem-me. Devia tê-la na cara e ir-te buscar para te ver velado. Assim ouvirias apenas a minha voz e verias um brilho fugaz. É o tempo de chegar até amanhã e parecer a mesma com um coração maior.

Se virmos os prédios inacabados de desenhar ou depois de a borracha passar  por  eles, conseguiremos ouvir a nossa voz num eco que cai.

É  o impensável e a névoa está aqui. O cabelo imóvel e o fumo dos escapes a querer ascender desapercebido.

Quero beijar sem fechar os olhos , para ver de perto o sabor.

As árvores não, são demasiado espessas e nítidas, é preciso esticar os braços e o silêncio olhar-me as costas, ser uma ave de rapina que diz para imaginar que o mundo hoje é um novo dia, vazio de tudo que conhecemos e de todos os que desconhecemos.

A dizer que tudo partiu e não volta, somos só nós e quem não nos ouça e ainda assim sem gritarmos para não tornarmos ao chão.

A ave ainda ali e nós no meio da névoa, no meio da rua, os mesmos de sempre e um mundo inabitado indiferente ao não desabrochar de nada ou de algo de nós, do sabor, do ar respirado pelo pescoço e dedos.

Deixa-me dizer-te: nunca me viste assim, nem verás: de que adianta então veres-me agora?

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