.a importância da hora

7 11 2008

Decora a hora, para noutro dia poder viver uma reprodução dela, ainda com mais vontade porque apaixonada.

Está toda uma alameda vazia e gelada, com luzes espaçadas amareladas a cantar às copas das árvores, enquanto nelas se roçam, imóveis.

O que eu penso, digo antes sinto, logo que a vejo é num amor proibido enfim em paz, porque longe de qualquer olhar, que nem imaginaria ir ali. Os bancos são um palimpsesto de folhas bebidas, mas a luz escoa-se com uma velocidade desafiadora, de ultimato.

Todos os carros são como milhões de pessoas a gritar confundíveis ou um mar a arrastar as conchas. É bonito não ouvir voz nenhuma, não distinguir quem grita de um lado para o outro da rua.

Mas hoje quero viver na casa da janela do prédio à direita. A janela também é a mais à direita e tem sol laranja, alberga um amor e quem o sente deixou de procurar justificações para o que quer que seja. Há uma certa apatia, mas forte por serem, sem ouvirem mais vozes antes do tempo, como dantes.

Já não têm embaraço, nem a culpabilidade constante que aborta qualquer maravilha, que é uma amêijoa recusada por a acharem estragada- oh a concha impenetrável, adormecida, não-devir.

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