.nocturno

25 10 2008

Atirar roupa pelo ar é fascinante! Ainda quente do corpo, arrememessada pelo próprio corpo a livrar-se delas ou com as mãos (é menos dança, mais infantil).

Nunca quero só deitar para o chão. Espero sempre acertar em algo, derrubar aqueloutro.

A roupa pesa-me a andar devagar e recuso-me a arrastar os pés. A roupa é um armário em que estou metida, a tentar andar, esconde-me a cara porque não olho para ninguém, muito menos para o céu e aquela janela de onde caiu o baú, nem para as rodas que chiam até o metal ser vidro.

Só olho para uns pés surpreendentes, porque involuntariamente tortos

 

 

-quer dizer, eu estou em diálogo com eles quando não querem conversa comigo-

 

mas também não vejo as beatas e os escarros, só os evito de olhos tristes e cantos da boca para baixo.

Quero chegar até ti, até a porta fechar, até termos uma hora e tu, sem estares à espera e a seres simpático, veres os meus olhos

 

 

-é raro, és tímido, mas falas com eles postos nos meus-

 

mas agora não vou falar pelos segundos suficientes para que comeces a sorrir, como da última vez, porque me querias ver sorrir, saber mais. O que raio olhava eu sem abrir a boca depois de falarmos tantas vezes? A saberes pela primeira vez partilhar um silêncio, despi-lo até o tom de voz ser novo, ser

 

-agora sim.

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One response

27 10 2008
Jean Louc Goudard

volta e meia caem-nos no colo diálogos desses. com os pés nunca me tinha sucedida. mas talvez, também como Deus, escrevam direito por linhas tortas.
*

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