.cinzas e afins

23 09 2008

Cinzeiros. Incontáveis cinzeiros (na verdade contavam-se, mas passando do segundo perdia a paciência). Sempre para lavar, sempre com a mistela cinzenta a lembrar camisolas demodés e indefinidas. Eu dizia-lhe sempre:

-por favor, não deites água para apagar o cigarro, fica um cheiro imortal

Mas como nunca apagava os cigarros bem, como ardiam sempre sozinhos desesperados sem a sua boca descontrolada, afogava-os.

Com os olhos também os afogava, decerto imaginando espetá-lo na pele de alguém.

A marca não sai, aquele círculo esbranquiçado de pele mais flexível. Não sai. Não muda, não se mistura com a outra pele.

Às vezes os cigarros caem da beira do cinzeiro, decidindo-se pelo precípicio

-Não, não vou fingir que te mato quando eu sozinho não faço nada. Vou saltar, cumprimentos cordiais.

E ela mata-se a subir as escadas.

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