lojas indefinidas e pressa entre as mãos à procura de indistintos produtos de papelaria. a pequena muito morena, juraria cigana ou sul americana impõe-se-me. a sua estatura mantém-se a mesma, mais baixa do que a minha, enquanto me ensina o tango, me leva no tango. so quando tenho a plena consciência de não o saber dançar e me largar nela, os meus passos se coordenam com os seus.
na rua passa a minha mãe em pequena, mas logo me foge entre hostes de crianças vestidas de fadas e um desejo de violência por gestos de indiferença provocadora silenciosos vindos de outro lado.
caminho sempre e o primeiro verdadeiro sentimento que da som à minha voz é a oferta das duas canetas, numa caixa, pelo meu irmão a mim: aquela marca faz-me sempre lembrar o meu irmão, digo eu alto para ninguém, nem mesmo para ele.
tão lindo joana. tão nostálgico e hipnótico